Insetos sentem dor?
Texto por: Gabriel do Nascimento Barbosa; Estudante de História da Unesp, Musico, Tecnico de Enfermagem, Ser humano comum. Você pode me seguir no twitter, no instagram, na twitch, ou no youtube. Vamos nos conhecer?
Quando eu era criança eu aprendi com as outras crianças a botar uma formiga pra morder o pano da minha própria camisa e depois disso, à puxa-la para ver sua cabeça ser arrancada violentamente do corpo; na época eu não tinha a noção de compaixão. Compadecer com a dor alheia não fazia sentido para aquela criança curiosa. Mas conforme o tempo passava, em algum algum momento obscuro (ou mágico), daqueles que difcilmente alguém se lembra, mas que forjam o seu caráter, eu passei a me questionar - lembro que muito cedo, quando criança também - sobre se os insetos podiam sentir aquilo que eu sentia quando caia, quando me ralava, quebrava um dedo ou me batiam de cinta. Lembro-me que a cena das formigas sem cabeça sempre vinham a tona quando eu fazia esses questionamentos profundamente filosoficos, tipicos de criança.
Conforme fui crescendo, comecei a acreditar que os insetos sentiam dor. Quando alguém matava uma barata perto de mim, eu à via agonizar, e pensava "isso é claramente dor". Quando eu acidentalmente pisava em algum besouro e o via lutar incesantemente por sua vida, eu acha o mesmo. Eu estava em uma época interessante da vida, na qual eu me compadecia com os que na visão majoritária da nossa sociedade não eram dignos do mesmo. Sempre que pudia, salvava os insetos e os tratava com o carinho que eu achava que eles mereciam, sempre escondido e em silencio, para não chamar atenção indevida e julgadora das pessoas.
Ao entrar na fase "adulta", tive contato com o método ciêntifico, com a ciência e sua inspiradora trajetória, passei a entender que tudo que eu me questionava não era simples coisa de criança, era também um dos mais belos dons do homem: a curiosidade. Foi ai então, que encontrei muitas respostas para aquela antiga pergunta que crescia cada vez mais em mim. Descobri que não era só curiosidade minha; era uma questão ética. Ao ver outro ser sofrer, se você não se compadece, tem algo de errado com você. Você por algum motivo está duro por dentro, não está apto a compartilhar o mundo.
Muitos identificam o inferno para além dessa vida, entretanto, ao meu ver, nós experimentamos o inferno cada vez que ficamos presos à falta de compadecimento. A normalidade quase psicopata frente a morte nunca me pareceu normal; o homem se diz racional, mas se esquiva a cada fenomeno que a realidade lhe apresenta, prefere o conforto mórbido e macabro dos infernos cotidianos.
Os budistas veem a morte como algo natural, assim como eu, apesar da minha evidente apologia ao compadecimento frente ela. Um não exclui o outro, o que é natural também é digno de compadecimento. Não é por que eu vejo algo como natural, que vou deixar de senti-lo. A realidade se apresenta como ela é, cabe a nós, seres racionais, senti-las com a maior intensidade possível.
Sobre aquela antiga pergunta: insetos sentem dor? A ciência mostra a cada dia que insetos tem sistemas nervosos ativos, modulação de seretonina e de peptidios. Em resumo, a cada passo que o humano da em direção ao entendimento dessa simples questão de criança, mais fica evidente do quão pouco sabiamos sobre isso. O sistema nervoso dos insetos e dos invertebrados nos mostra, à sua maneira, tão complexos como o de qualquer animal. Ainda que não sentissem dor, você prefere uma borboleta voando ou ela esmagadas pelos seus próprios pés? Isso talvez não faça diferença para a borboleta, ou para o mundo, mas diz muito da sua capacidade de compadecer.
TEXTO INSPIRADO NOS ARTIGOS CIÊNTIFICOS:
https://www.researchgate.net/profile/David-Merritt-4/publication/226162587_Do_insects_feel_pain_-_A_biological_view/links/09e415091966ba31ba000000/Do-insects-feel-pain-A-biological-view.pdf
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301008202000576

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